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Paulo Emílio e a perversidade da elite paulistana

 

I) Introdução: texto e contexto

O capitalismo, sabemos, transforma tudo em mercadoria, inclusive a força de trabalho e então estabelece contratos livres entre as partes. Todos nós possuímos mercadorias para vender no mercado e então, no nosso imaginário, as relações são contratuais. O direito burguês baseia-se nesse registro. Para muitos autores não haveria Direito fora do quadro burguês por que o direito ele mesmo só pode existir com o homem — mercadoria, com o homem — contrato (NAVES, 2014). Se alguém se sente injustiçado, na sociedade moderna, é porque o contrato estabelecido foi lesado. É óbvio que a hegemonia do contrato não impede a proliferação de vínculos perversos e sádico-masoquistas. Christian I. Dunker tem artigos preciosos sobre como o contrato — inclusive matrimonial — favorece vínculos perversos (DUNKER, 2014).

Pensemos, agora, e só para estabelecer comparações, em uma sociedade escravocrata. Os escravos foram transformados em coisas para serem melhor explorados. Homens — coisas tiveram uma finalidade: a exploração da força de trabalho. Não por acaso, os vínculos que a elite branca — no Brasil e no mundo — manteve com os homens pobres e com os escravos nesse tipo de sociedade foi o perverso. Os vínculos eram perversos e herdeiros que somos de uma sociedade escravocrata continuam perversos.

Três mulheres de três PPPês de Paulo Emílio Gomes é o único livro ficcional (?) — do autor. Três Mulheres de Três PPPês, foi publicado pela primeira vez em 1977 pela Perspectiva, re- publicado em 2007 pela CosacNaify e agora de novo pela Companhia das Letras em 2015 — a imagem que abre a nossa postagem é a capa da edição da Cosac Naify

Uma espécie de continuidade de Dom Casmurro de Machado de Assis, Paulo Emílio deixa o tipo de vínculo, que as elites mantêm com o povo, claríssimo, muito embora já não sejamos uma sociedade escravocrata. O pano de fundo em que Paulo Emílio escreve essa joia literária tinha algo de aterrador: os porões da ditadura do regime militar. A leitura deste livro fará a diferença para o leitor e a sua compreensão da nossa elite e, em particular, a elite paulistana. E, sabemos, a elite continua perversa e para perceber isso basta ler os jornais diários: visando interesses próprios, privados, a elite faz um uso do que é público de maneira perversa e não há limites para a manipulação do mundo a seu favor.

Segundo os biógrafos de Paulo Emílio, o livro Três Mulheres de três PPPs foi escrito em torno de 1973 e publicado quatro anos mais tarde em 1977 e, como se sabe, esse foi também o ano que Paulo Emílio falece. O posfácio de Três mulheres é escrito, na edição da Companhia das Letras por José Pasta que dá preciosas informações sobre o contexto em que o livro foi escrito e o espanto que causou na época já que Paulo Emílio dedicava-se com afinco ao cinema nacional e não à ficção e, todavia, Três Mulheres está mais para um ensaio — um ensaio ficcional — do que para ficção propriamente dita.

O X estético do livro apontado por Roberto Schwartz e retomado por José Pasta se dá entre a limitação dos personagens e a inteligência da escrita do autor, Paulo Emílio: desacordo total e conjunção é forçada (PASTA, p. 132). E ainda que as bobagens vividas pelos personagens sejam muitas, a prosa é solene, viva e paulista! Para Schwarz a arte literária se alimenta da liberdade de espírito de um homem agudo e vivido e a transforma em valor poético imediato (SCHWARTZ, 1992). Ora, é exatamente isso que instiga o leitor a não abandonar o livro. Não foram poucas as vezes que me perguntava espantada: mas o que se quer com isto? “Maximização de intensidades” (SCHWARTZ, 1992: p.130) e “extremos de exasperação” é assim que caminhamos ao ler o livro Três mulheres com personagens não só limitados, mas mesquinhos, apequenados e muito loucos.

A vivência desse acirramento de tensões era, de fato, experimentada por Paulo Emílio em várias frentes de sua atuação e, em relação a isso, o Posfácio de José Pasta muito nos ajuda a compreender não só Paulo Emílio, mas também Três Mulheres. Depois do Ato Institucional número 5, de 1968, o golpe dentro do golpe, Paulo Emílio passou a ser visado pela ditadura, seu nome estava na lista negra das cabeças a serem cortadas — nessa época Paulo Emílio era professor universitário: Universidade de Brasília, Universidade de São Paulo. Perseguido e tendo suas atividades na imprensa e na pesquisa cada vez mais limitadas, Paulo Emílio em resposta torna-se cada vez mais comunista — não no sentido partidário. Em 1973 lança Cinema: trajetória no subdesenvolvimento. Nesse estudo, nas palavras de José Pasta: “…Paulo Emílio registra seu encontro com um país que não se formara, que talvez não se formasse nunca, em cuja marcha recalcitrante a cada espasmo formativo corresponde uma contração regressiva…” (PASTA, p.136). O que fazer quando uma ideia reguladora, um projeto e um mito fundador — refiro-me à ideia de formação que fora de Paulo Emílio, mas não só dele e sim de toda uma geração de intelectuais — perde a força e o sentido e o que entra na ordem do dia é a violência de uma ditadura feroz?

Na feliz expressão de José Pasta, Paulo Emílio sofre de um “impulso nomeador” e busca, para esse vazio teórico, nomear, o que na expressão do psicanalista W. R. Bion, é terror sem nome. Acho essa expressão boa para tempos sombrios e neles a incapacidade de nomeação. Com certeza, a época da ditadura gerou esse terror sem nome e convocou ao “impulso de nomeação”. Em um outro tempo, tempo passado, quando o pano de fundo não era a ditadura, mas a escravatura já tinha exigido de outro intelectual, Machado de Assis, um esforço parecido quando escreveu Dom Casmurro.

Sabe-se que Paulo Emílio, juntamente com Lygia Telles adaptaram para o cinema esse livro e tinham por ele um apreço todo especial. Três Mulher de alguma maneira retoma Machado de Assis e como esse autor lia a elite brasileira. O livro de Paulo Emílio é agora, em 2015, republicado e não me parece mera coincidência pois estamos de novo vivendo tempos sombrios, com nossas categorias de pensamento que já não dão conta do pensar e, de volta, o terror sem nome e o impulso nomeador que estamos atravessando, com uma elite mais perversa do que nunca, e com um terrível pano de fundo: uma crise política e também planetária, pois  Gaia, transformada em sujeito político, nos ameaça de maneira assustadora.

II) Polydoro e Helena/ Polydoro e Ermengarda/ Polydoro e Ela

O livro é chocante e vou comentá-lo brevemente: Polydoro que detesta seu nome, tem essa maldita incapacidade de identificar-se consigo mesmo e está às voltas com as três mulheres — três ensaios que compõem o livro. Polydoro, o narrador, é ingênuo e então um objeto útil nas mãos dessas três mulheres. Talvez Polydoro possa também ser lido como uma boa metáfora para o povo brasileiro nas mãos da elite por que ele é enganado de forma vil e muito ingênuo não se dá conta do que estão fazendo com ele. Mas Polydoro é também parte da elite e ama líderes de direita sanguinário — Hitler e o nazismo — e movimentos de direita como o integralismo. Se tivesse vivendo agora — ainda que ficcionalmente — teria feito parte das Manifestações pró-golpe e abraçado ao R. Jucá teria participado do golpe e ajudado Michel Temer a assumir o poder; ao lado de Bolsonaro faria elogios de torturadores e estaria ele também gritando pela volta do Regime Militar.

As três histórias são cheias de reviravoltas que nos tiram o fôlego, mudanças de perspectivas, acontecimentos não previstos, o suspense sempre presente. Nelas, Polydoro só “acorda” no fim, mas no fim é tarde: a vida passou e ele esteve trespassado por um engano cruel por cada uma dessas três mulheres. Polydoro jovem mantêm um estranho caso de amor com Helena. Polydoro homem adulto e de meia idade é casado e finalmente viúvo de Ermengarda que se mata — por descuido é verdade — para melhor espezinhá-lo.

Mais do que as três mulheres — metáforas da elite, principalmente paulistana — Polydoro é a chave desse ensaio ficcional de Paulo Emílio. Que nos usem de maneira perversa é compreensível, mas que nos deixemos seduzir, enganar, usar é mais complicado e merece ser compreendido. E a crueldade está sempre presente no engano e no uso. Uma pergunta se impõe: por que o uso perverso que a elite faz do outro não cai por terra, já que é tão previsível?

Uma das coisas que aprendi na vida e reaprendi no ensaio de Paulo Emílio é o lugar psíquico que ocupamos e com ele o lugar psíquico que obrigamos o outro a ocupar. A elite, as três mulheres, ocupam um lugar psíquico do qual não duvidam: todos têm direito a tudo podem fazer do outro o que quiserem, moldá-lo, matá-lo, espezinhá-lo, valer-se dele do jeito que lhes aprouver. A elite não tem dúvida disso e é por isso, em função desse lugar psíquico, que ocupa no imaginário, que consegue atuar de forma tão perversa.

Definir se um ato é perverso requer a resolução do paradoxo ético do ato, como diz C. Dunker, no ensaio A perversidade nossa de cada dia: saber “qual tipo de experiência ele produz em quem o realiza e o tipo de posição que ele confere ao outro”. E ainda, a perversão refere-se ao tipo de intenção (ou de desejo): o modo como nos colocamos e situamos o outro, diante do que fazemos. Sob esse ponto de vista Três Mulheres é simplesmente exemplar; vejo-o então como uma metáfora, metáfora de um determinado tipo de vínculo, que se espalha por todo o tecido social: universidades, governo, alta cultura. Para essa elite o outro só existe para satisfazer a voracidade de um lugar psíquico que dispõe o mundo para si, como se fosse a extensão de seu quintal.

Nos três principais ensaios em que Freud discutiu o assunto o perverso se opõe ao edipiano (1905) ou o perverso e Édipo con-vivem (1919 e 1927). Lembro o leitor que Paulo Emílio foi analisado por J. Lacan por 4 anos e então a ressonância da compreensão do que Lacan entende por perversão me parece a hipótese mais justa a perseguir, basta dizer que o mais chocante do livro de Paulo Emílio como já disse é o tratamento que as mulheres dão a Polydoro: usam-no, forjam-no de acordo com seus interesses. Há um controle e um cálculo perverso nas três mulheres — e no Mestre, o marido de uma delas. Tudo é milimetricamente estudado, todos os gestos, diálogos, roupas, comidas para chegar a um objetivo que obriga o outro a realizar os desejos daqueles que calculam e controlam. E com isso, o livro confirma a máxima perversa de que “o outro deseja, mas segundo a lei que eu determino” (DUNKER, 2014). Presente nas três histórias é particularmente sensível na primeira e por isso vou comentá-la um pouco mais: Helena está em aliança com o seu marido, o Mestre, e rouba a vida de Polydoro e seu sêmen, já que mantêm um rápido caso de amor com o jovem Polydoro e o dispensa assim que percebe que está grávida. É incrível como Polydoro se submete aos desejos de Helena e quando dispensado vai embora sem dar um pio! Polydoro passa a vida culpado e envergonhado do que fizera ao Mestre. Muitos anos depois pela boca mesmo de Helena dá-se conta que teve um filho com ela e que esse filho provavelmente morrera nos porões da ditadura. É impressionante a frieza de Helena.

Na segunda história o agora maduro Polydoro afirma sobre si mesmo: “sou um liberal conservador, respeito a tradição alheia, mas em matéria de família sou subversivo e não suporto a minha”. Isso é usado perversamente por Ermengarda, uma figura tão narcísica, que fala de si como “Ermengarda fez isso”, “Ermengarda fez aquilo” etc. A comparação com Paulo Maluf é imediata e não exige aprofundamento das associações. Polydoro e Ermengarda tem uma vida limitada, acanhada muito embora em termos culturais, a burguesia tenha alcançado um invejável patamar cultural. Cito o narrador, Polydoro: “…meus sonhos juvenis de extrema elegância, poder e cultura tinham-se reduzido a um nível bem paulista”. Ermengarda se mata, Polydoro enlouquece.

Polydoro, já velho, casa-se dessa vez com Ela — apelido da sua mulher. E Ela o trai e mente de maneira inconcebível; se mostra de maneira que absolutamente não corresponde a um mínimo de verdade. Depois exige o desquite do velho Polydoro e já não segura máscara nenhuma. Como Helena, Ela é de uma frieza brutal.

III) E Freud com isso?

A maior parte dos críticos que li referem-se ao livro como uma crítica à família burguesa, ao casamento, à hipocrisia das relações conjugais. O livro, porém, me interessou porque é exemplar na construção de vínculos mortíferos: o uso e a manipulação do outro — não pressupondo nenhuma alteridade.

Como já vimos o livro foi reeditado em 2015 e parece-me bem significativo que essa discussão — da elite paulista — reemerja de novo neste momento. Chega a ser engraçado certas passagens do livro que retomam a Revolução de 32: São Paulo “revolucionário” por que não podia suportar o “peso” dos demais estados e queria desenvolver-se! Eis que voltamos a viver recentemente uma atmosfera emocional separatista, racista, com a direita saindo do armário e mostrando abertamente seus desejos e a discriminação que gostaria de reviver.

Depois de atravessarmos um projeto desenvolvimentista que, de fato, não acabou com a desigualdade mas inseriu no consumo parcelas significativas da população, as elites — escravocratas — desse país voltam a se apoderar de maneira ilegítima do poder político. Tal como denunciado por Paulo Emílio, a continuidade perversa da elite mantém-se tal qual sempre foi e por isso sou obrigada a concordar com os que afirmam que se S. Freud fosse brasileiro dificilmente a Psicanálise teria surgido com Dom Casmurro, com Helenas, Ermengardas e Elas — e também com Polydoro! Talvez, uma outra psicanálise teria sido elaborada pelo mestre de Viena, S. Freud, se ele fosse brasileiro!

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Referências Bibliográficas

DUNKER. C. I. “A perversão nossa de cada dia”. Cult Dossiê Perversão. Dezembro/2014[1] NAVES. Cult Dossiê Perversão. Dezembro/2014 e DUNKER. C. I. “Casamento e Perversão consentida”. In: Mente e Cérebro. Janeiro/2014.

NAVES. Márcio B. A questão do direito em Marx. S.P. Outras Expressões- Dobra Universitária, 2014.

PASTA. José. “Pensamento e ficção em Paulo Emílio” (Notas para uma história de Três Mulheres de três PPPês). In: GOMES. Paulo Emílio Sales. Três mulheres de três PPPês. Companhia das Letras, 2015.

SCHWARZ. Roberto. O Pai de Família e outros estudos. S.P. Paz e Terra, 1992 — p. 130.

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