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Vida Selvagem (Vie Sauvage)

 

 

O diretor Cédric Khan dirigiu Vida Selvagem inspirando-se em fatos reais: um casal belga se separa e disputa a guarda dos filhos. O pai, Xavier Fortin é acusado de sequestrar os filhos e educá-los em uma floresta, em uma fuga que durou 11 anos. Poderia, apesar de excêntrico, ser um caso banal. O diretor, porém, faz do filme algo extraordinário.

Cédric Khan, ator, roteirista e diretor francês, que começa a produzir nos anos 90, nas pegadas dos irmãos Dardenne os quais, aliás, são os produtores de Vida Selvagem, evoca o cinema de crise de Maurice Pialat e desenvolve, em sua filmografia, um especial tom crítico que nos dá um recado constante: é impossível fazer parte do mundo tal como ele é. Vida Selvagem, nesse sentido, é o seu filme mais emblemático. Recordemo-nos então brevemente de dois de seus filmes entre muitos outros: L´Ennui (1998) a partir da novela de Alberto Moravia La Noia e Roberto Succo:  nos anos 80 matou seus pais e cometeu outros assassinatos até pôr fim a sua vida no cárcere. Definitivamente, sujeitos normais e integrados na vida cotidiana da civilização não interessa a esse diretor.

Nora (Céliné Sallette) e Paco (Mathieu Vassovitz) conheceram-se em uma comunidade na floresta e entusiasmaram-se com um mesmo projeto: se casariam e criariam os seus filhos longe da civilização, não levariam seus filhos para a escola, lugar de “produção em série de indivíduos padronizados”, morariam e viveriam de preferência na floresta. Tiveram dois filhos e durante anos viveram esse projeto sonhado em comum.

O filme começa e termina no caos e nós, como expectadores, somos logo de cara lançados em um turbilhão e demoramos no início a compreender o que está acontecendo: Nora foge com os filhos sem avisar Paco, pegando carona na estrada, com as crianças fugindo e se arriscando na estrada querendo voltar desesperadamente para o pai, Paco. O diretor faz a sua parte para que essa fuga e o rapto das crianças não passe desapercebido: filma nervosamente com a câmera na mão, recurso do cinema contemporâneo, borrando as cenas, cortando-as impiedosamente. Finalmente, Nora e as crianças, chegam a seu destino: a casa dos avós, país de Nora. Paco aparece e as crianças correm para ele.

O de sempre acontece: a Lei se faz presente, o direito da mulher, através da maternidade é assegurado, a guarda das crianças é dela. Paco terá direito a alguns dias nas férias e alguns fins de semana. É a vez de Paco agora fugir com as crianças — seus dois filhos um de seis e outro de oito anos. Fogem para o único lugar que Paco — mas também as crianças — parecem se sentir bem e à vontade: a floresta.

E o problema de Paco logo vem à tona: ele continua querendo realizar o projeto sonhado  com Nora: criar seus filhos bem longe da civilização. Nora desistiu do projeto e  fez dele o crime de Paco: pai absolutamente amoroso e responsável — é também de acordo com a Lei marginal e criminal.  Seu ideal de viver à margem, o coloca doravante contra a sociedade, fugindo e fingindo, ele e os filhos. A mãe? Permanece o filme inteiro inconsolável com a perda dos seus filhos, dos seus bebês.

É aí que o filme dá uma guinada e praticamente muda de tema: deixa de ser uma briga jurídica pelo direito à guarda dos filhos e se torna uma disputa jurídica em torno do direito que temos ou não de ser contra a civilização ocidental! E logo descobrimos que nossa liberdade termina na escolha dos Bancos e Agências Financeiras que nos espoliam, na escolha das lojas onde compramos bens de consumo, na escolha das escolas que botamos nossos filhos. É aí que nossa liberdade começa e termina. A caçada em torno de Paco na floresta com helicópteros e as forças da ordem é implacável. Os três continuam fugindo e buscando comunidades de pessoas que também fizeram essa opção: viver na floresta e negar os (sic) preciosos bens civilizatórios. Em anexo, nesta postagem, publico em português e em inglês, artigo sobre o movimento europeu dos Descivilizados que entre outras experiências, fazem um luto pesado e desesperançado da civilização — desesperança que também está presente em Vie Sauvage.

 

Nesse momento, o diretor nos convoca também a nós, expectadores, a viver na floresta, a viver o estilo de vida dos personagens, com direção crua e tom urgente:  nosso campo de sensibilidade durante quase uma hora se des-loca para a floresta, pequenas vilas perdidas no tempo e no espaço europeu, modos de existência que se perderam também no espaço e no tempo. Essa convocação do diretor Cédric Khan foi, para mim, o melhor do filme.  É isso que encanta no filme: o ensaio de outros modos de convivência e de existência — e como estamos carentes disso! — fora dos marcos civilizatórios que inclui governo, partidos, sindicatos, casamentos, escolas.

Um filme cujos corpos, suas intensidades e seus embates — humanos, animais, vegetais — são os grandes protagonistas. E, todavia, nada é simples nesse filme: a floresta, os modos de convivência têm momentos de tensão extremas entre os que optaram por esse modo de vida. A natureza é também hostil e conflituosa. Não é só a relação entre Nora e Paco que é conflituosa; também o é a relação entre o Pai e os filhos. Cédric é suficientemente inteligente para não contrapor natureza e sociedade nos opostos ingênuos de liberdade e opressão! Se a sociedade tem muitos problemas, a floresta também tem e como tem. Porém, a questão não reside aí, por suposto. O que experienciamos em Vie Sauvage não é então o debate entre natureza versos sociedade; antes, são os limites da nossa tão propalada liberdade e bem-estar. Por exemplo: é proibido por Lei não botar nossos filhos nas escolas, que Louis Althusser um dia chamou com muita propriedade de aparelhos ideológicos do Estado. Paco responde a quem assim se exprime: a educação é obrigatória não a escola e educação ele dava, estudando com seus filhos boa parte das horas do dia — no final desta postagem o leitor encontrará vários links debatendo as ideias da desescolarização no Brasil. Vale dizer: estamos proibidos por Lei de tentar outros modos de existência que contradiga o ocidental.

 

A mãe muito sofrida atrás dos seus filhos, raptados pelo pai, Paco, preocupada que seus filhos “deixarão de ter um futuro”  vence, apoiada na Lei do Estado e os resgata. O começo do filme é caos: a mãe raptando os seus filhos numa estrada movimentada. As últimas cenas retomam o caos: com os filhos irados dessa vez contra a Mãe inconsolável. Primeiras e últimas cenas a câmera atua implacável aproximando-se — perigosamente — do rosto dos personagens. Só em momentos de calmaria, a câmera se afasta e produz em nós, expectadores, alívio. Mas não contei, nem vou contar o desfecho final do filme!

De qualquer maneira gostaria de insistir nessa discussão ainda por um instante: fomos “formados” e aprendemos com cada uma de nossas células a pensar que fora da civilização ocidental moderna, teríamos o “estado de guerra de todos contra todos”, o “homem como lobo do homem”, uma “vida curta, miserável e sórdida”: assim escreveu o filósofo mais importante da modernidade Thomas Hobbes, no século XVII, no clássico Leviatã. Fora da civilização ocidental a guerra, a miséria, a fome, a violência. Sabemos que um dos autores a seguir Thomas Hobbes foi Sigmund Freud: em Mal-Estar da Civilização e Totem e Tabu. Nesses escritos somos lembrados insistentemente do que nos espera se ousarmos contestar a civilização ocidental. O Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago é o pesadelo estético que nos aguarda fora desses muros protetores. Como meus leitores sabem sempre tive afinidades com Jean-Jacques Rousseau que combatia Thomas Hobbes, no Ensaio  sobre a Origem da Desigualdade, contestando a ideia que o estado de natureza antecedendo a sociedade e o Estado como ficção mediadora, fosse o pesadelo hobbesiano. Dizia Rousseau e escutemos bem essa voz que atravessa os séculos: a guerra de todos contra todos é o degenerado estado civilizatório em que os europeus se encontram no século XVIII, momento em que Rousseau escreveu o Ensaio citado.

Rousseau, como antes Hobbes — filósofos modernos — só conseguiam pensar a partir de dicotomias várias, entre elas, natureza e sociedade. Hoje essas dicotomias estão perdendo rapidamente o seu valor heurístico e, todavia, se pensarmos com eles, abraçamos ainda uma vez as ideias de Rousseau: o imenso perigo, a guerra iminente, está inscrita na sociedade moderna e, agora, tardia, do século XXI! É aqui mesmo, nesta civilização, que reside nosso pesadelo e precisamos acordar desse terrível sonho de morte. É preciso parar de crer nos autores que acenam o horror caso façamos críticas e mesmo nos “retiremos” da civilização ocidental; há outras civilizações possíveis diria meu velho amigo Rousseau. Esta que vivemos só pode ter sido, como ele dizia, fruto de um “mau encontro”, de um “acaso funesto”.

 

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Anexo 1: É o fim do mundo como o conhecemos…

 

Abaixo partes do artigo sobre Paul Kingsnorth, The New York Times Magazine, 17/4/2014 —  todavia, eu garanto,  é de uma atualidade constrangedora.

Paul foi durante décadas um ambientalista, movendo ações nessa direção. Mas não via transformação alguma. Ao contrário, “tudo tinha piorado” dizia Paul. “Você observa cada uma das tendências que os ambientalistas como eu tem tentado interromper nos últimos 50 anos e cada uma delas só tem piorado. Então pensei: Não consigo mais fazer isso. Não consigo mais ficar aqui sentado dizendo ‘Sim, camaradas, nós devemos agir! Nós só precisamos de mais um impulso e nós salvaremos o mundo!’ Eu não acredito nisso. Eu não acredito mais nisso e, o que eu faço então?”A primeira coisa que Paul Kingsnorth providenciou então foi o esboço de um manifesto, chamado de “Des-civilização”, documento meditativo e intenso e que desacreditava o progresso. “Há um outono chegando,” o manifesto anunciava. “Após um quarto de século de complacência, durante o qual fomos convidados a acreditar em bolhas que nunca estourariam, preços que nunca cairiam… a Húbris foi apresentada à Nêmesis.” A primeira versão impressa de “Des-civilização” teve apenas 500 cópias. Todavia, o manifesto atraiu significativa atenção. O filósofo John Gray o resenhou para o The New Statesman. Professores universitários incluíram-no em suas bibliografias. “Des-civilização” — para além do manifesto — é um festival ao ar livre, realizado pelo Dark Mountain Project (Projeto Montanha Negra), grupo de escritores e artistas ecologicamente iniciados. Paul é um dos fundadores desse grupo. O Dark Mountain Project foi fundado em 2009 e desde o início tem sido difícil defini-lo, mesmo para seus integrantes. Para uns o grupo e suas atividades promovem o uso responsável dos recursos da Terra. Quando indagado Paul Kingsnorth fala de luto, pesar e desespero. Nós estamos vivendo, diz ele, na “era do ecocídio” e, tal qual um viúvo entorpecido, finalmente estamos nos tornando cônscios da magnitude de nossa perda, a qual é nossa obrigação encarar. Dito em outros termos:  a civilização está se aproximando do colapso e é o momento de se dar um passo atrás e discutir como conviver com isso com dignidade e honra. Desesperança? A mesma que encontramos em Vie Sauvage de Cédric Khan, mas também em Os Renegados de Ágnes Varda e Natureza Selvagem de Sean Penn. Dark Mountain quer permanecer “impraticável” e esse, talvez, seja o seu grande mérito. E, todavia, há uma ética nas ações de Paul Kingsnorth, uma ética que contempla o pequeno, o detalhe e com afinco filia-se à beleza e ao sentido. Pequenas ações que podem preservar oásis de possibilidades de vida. É tudo que nos resta? Que o leitor se decida, pois Dark Mountain e seu fundador já não nos oferecem planos nem respostas.

O artigo e a entrevista são de Daniel Smith (Daniel Smith é o autor de “Monkey Mind: A Memoir of Anxiety” e também catedrático no College of New Rochelle) e chama-se É o fim do mundo como o conhecemos…e ele parece bem – no presente site a íntegra do artigo em inglês está na categoria-Antropologia.Vamos ao histórico artigo:

 

A máquina humana e o colapso inevitável

 

¨No último agosto, tarde da noite, nas colinas calcárias do sudeste da Inglaterra, Paul Kingsnorth encontrava-se de pé, em um campo, ao lado de uma floresta virgem, de uma tenda e de um banheiro de compostagem. Paul, 41, é alto, esguio e energético, com volumosos cabelos castanhos e uma barba rala. Ele usa óculos sem aro e um brinco em forma de cavalo de prata; ele fala com fervor intenso, e com frequência se desculpa por ter falado demais ou por ter falado com extrema veemência.

Nessa ocasião, Paul estava em silêncio. Era a última noite de “Des-civilização”, um festival ao ar livre, realizado pelo Dark Mountain Project (Projeto Montanha Negra), que é um grupo informal de artistas e escritores ecologicamente iniciados. Ele esperava, junto com dezenas de outros participantes, pelo início do ritual da meia-noite. Paul, como um dos fundadores do grupo, já tinha participado de várias sessões naquele dia, inclusive de uma sessão sobre escrita natural contemporânea; de um painel sobre as perversidades do tratamento psiquiátrico padrão; e de uma leitura de seu romance mais recente “The Wake” (A Vigília) cuja trama é ambientada no século XI e é escrita em uma “linguagem umbrosa” — uma mistura de inglês antigo e moderno. Ele tinha também auxiliado seus dois filhos mais novos a montarem um jogo de trenzinhos ao mesmo tempo em que tentava sumariar suas perspectivas sobre mudança climática e degradação ambiental, no que ele descreve como sendo uma era de ruptura global. A “máquina humana”, como ele, às vezes, definia, tinha crescido até um ponto em que o colapso era inevitável. O que fazemos, então?

Devir animal

Na clareira, sobre uma pira, alguém havia erigido uma escultura de vime com o formato de uma árvore de nós retorcidos e arcos pendentes. Quatro homens mascarados se ajoelharam à base da escultura, na posição dos pontos cardeais. Quando deu meia-noite, um quinto homem, de cabeça bem raspada e usando um quimono, começou a andar lentamente em volta daqueles quatro. Ao passar pelas figuras mascaradas, cada uma delas acendia uma lavareda amarela até que, com o circuito finalmente concluso, o homem careca pôs fogo na escultura. O silêncio predominou por alguns minutos. Então, enquanto o vime ardia em chamas, um cântico suave reverberou pela multidão, composto por palavras que só gradualmente iam se tornando audíveis: “Nós estamos reunidos. Nós estamos reunidos. Nós estamos reunidos.”

Depois disso sobreveio o tumulto. Um homem com uma máscara de cervo adentrou a clareira gritando: “Venham! Vamos brincar!” A multidão se dispersou. Alguns foram para cama. A maioria seguiu para a floresta, para um palco improvisado que tinha sido obstruído com fardos de feno e coberto por um enorme paraquedas de nylon. Ali as pessoas dançavam, cantavam, riam, latiam, rosnavam, apupavam, mugiam, baliam e miavam, compondo uma espécie de coro improvisado e atávico. Mais tarde da noite, era possível ouvi-los da tenda, mudando a intervalos de alguns minutos de um som para outro, de um animal para outro, de um estado de espírito para outro.

Na manhã seguinte, durante o café da manhã, Dougie Strang, um artista e performer escocês que integra o comitê diretivo do Dark Mountain, perguntou-me se eu estivera lá na noite anterior. Quando ele saiu, às 3 da madrugada, disse que as pessoas estavam se contorcendo na lama e cantando, em harmonia, a canção infantil “Teddy Bears’ Picnic” (O piquenique do ursinho de pelúcia). (“Se você for às matas hoje, com certeza terá uma surpresa”). “Não foi incrível?”, ele indagou, com um sorriso largo. “Foi enlouquecedor. Acho que, de fato, alcançamos a ‘des-civilização'” […]

Colapsistas loucos

[…] O próprio Paul chegou a este ponto cerca de seis anos atrás, depois de quase duas décadas de intenso ativismo. Ele tinha acabado de terminar seu segundo livro “Real England” (Inglaterra Real), que era uma espécie de diário de viagem sobre os efeitos homogeneizantes do capitalismo global sobre a cultura e o caráter ingleses. “Real England” foi um grande sucesso — o primeiro de sua carreira. Todos os principais jornais resenharam o livro; o arcebispo de Canterbury e David Cameron (então o líder da oposição) citaram-no em discursos; Mark Rylance, venerado ator shakespeariano adotou-o como uma espécie de bíblia durante os ensaios para a peça de sucesso “Jerusalém”. Ainda assim, Paul se considerava estranhamente ambivalente quanto a sua consagração. “Real England” foi um livro muito complicado de se escrever. Por meses, ele entrevistou donos de pubs, lojistas e fazendeiros, pessoas que lutavam para manter as pequenas e tradicionais instituições inglesas — lutavam e perdiam. Aonde quer que Paul ia, ele testemunhava as forças do desenvolvimento, as conglomerações e privatizações destruindo paulatinamente o país. Quando da publicação de suas descobertas, sobrava-lhe pouco ânimo para celebrar […]

[…] Os fatos eram, na verdade, cada vez mais aterradores. A primeira década do século 21 acabou por se configurar na mais quente da história. Em 2007, a camada de gelo Ártico diminuiu a um nível não constatado há séculos. Naquele mesmo ano, o climatologista da NASA, James Hansen, que vem chamando a atenção para as mudanças climáticas desde os anos 80, anunciou que, a fim de evitarmos as consequências mais devastadoras, precisaríamos manter o dióxido de carbono da atmosfera a um nível de 350 partes por milhão. Mas já havíamos ultrapassado a marca das 380 partes por milhão e aquele número continuava crescendo. (desde então, o número já alcançou as 400 p.p.m). As espécies animais e vegetais, nesse ínterim, estavam sendo extintas em um ritmo impressionante. Os cientistas começavam a alertar que as atividades humanas — emissões de gás que causam o efeito estufa, urbanização, a disseminação global de espécies invasivas — estavam conduzindo o planeta rumo a um evento de “extinção em massa”, algo tinha ocorrido apenas cinco vezes desde o surgimento da vida, 3.5 bilhões de anos atrás […]

[…] Ele e seus simpatizantes foram chamados de “catastrofistas”, “niilistas” e — o epíteto preferido de Paul — “colapsistas loucos”. Um crítico, um defensor da sustentabilidade, publicou um artigo na The Ecologist — uma revista que Paul no passado ajudara a gerenciar — comparando os integrantes do Dark Mountain com os personagens complacentes do romance de Douglas Adams “O Restaurante no fim do universo”: “Diners (que) apreciavam assistir o extermínio da vida, do universo e de tudo o mais, enquanto degustavam um suculento bife”.

Paul recebia tais acusações com tranquilidade, apenas arguindo que a única esperança que ela havia abandonado era a falsa esperança. O grande diferencial do Dark Mountain, ele alega, é que o grupo dá às pessoas a chance para fazer a mesma coisa — abandonar a falsa esperança. “Sempre que ouço a palavra ‘esperança’ atualmente, eu lanço mão de minha garrafa de uísque,” ele disse a um entrevistador em 2012. “Para mim, isso parece ser algo fútil. O que ela significa? Pelo que estamos esperando? E por que estamos reduzidos a algo tão desesperador? Sem dúvida, só temos esperança quando estamos impotentes?

Em vez de tentar “salvar a Terra”, diz Paul, as pessoas deviam começar a discutir sobre o que é factualmente possível fazer. Ele confessou um cinismo de ex-ativista quanto à política, bem como quanto a uma preocupante ambivalência sobre se ele deseja mesmo que a civilização, como ela funciona atualmente, prevaleça. No entanto, ele assegura que não se opõe à ação política, popular ou qualquer outra, e que suas indignações com o declínio ambiental e com o capitalismo industrial estão mais fortes do que nunca. Entretanto, muito de sua escrita mais recente tem sido devotado para denunciar como o ambientalismo, em sua fase crítica, atrai adeptos. Movimentos como o de Bill McKibben 350.org, por exemplo, podem atrair as pessoas, mas eles não têm nenhuma chance de interromper as mudanças climáticas. Paul continua: “Eu só queria que houvesse uma forma de ser mais honesto sobre isso, porque, de fato, o que McKibben está fazendo, e o que todos esses movimentos estão fazendo, é vender uma falsa premissa para as pessoas. Eles dizem, ‘Se empreendermos estas ações, seremos capazes de alcançar esta meta.’ E, se você não consegue, e você sabe disso, então você está mentindo para as pessoas. E essas pessoas… elas vão se sentir desesperadas”.

Sejam quais forem os méritos deste diagnóstico (“Veja, eu não sou Poliana. Eu escrevi o primeiro livro sobre o clima para o público em geral, e ele trazia o jocoso título ‘O fim da natureza'”, diz McKibben), o mesmo tem se mostrado muito influente. A escritora e ativista Naomi Klein — que conhece Paul há muitos anos — diz que o Dark Mountain tem proporcionado às pessoas um fórum no qual elas podem ser francas sobre suas sensações de pavor e perda. “Confrontados com o colapso ecológico, que não é uma consequência dada, mas obviamente uma possível, tem que haver um espaço em que possamos vivenciar o luto. E, então, podemos, de fato, mudar” disse Noami.

Paul Kingsnorth concordaria com a necessidade de vivenciar o luto, mas não com a ideia de que isso deve levar à mudança — pelo menos não o tipo de mudança que os grupos ambientalistas tradicionais buscam. Ele pergunta: “O que você faz quando você aceita que todas essas mudanças estão a caminho, que as coisas que você valoriza vão se perder, e coisas que te desagradam vão acontecer, coisas que você queria realizar e que não vai poder, mas, ainda assim, você vai ter que conviver com isso, e ainda há beleza, a ainda há sentido, e ainda há coisas que você pode fazer para tornar o mundo menos ruim? E esta não é uma série de perguntas que tenha quaisquer respostas que não sejam as respostas pessoais que cada um dará. Egoisticamente, isso é só um processo pelo qual estou passando”. Ele ria. “É extremamente narcísico de minha parte. Em vez de ter uma crise pessoal, eu disse: ‘Ei! Venha compartilhar essa crise comigo!'”.

Em 2012, na revista sobre natureza Orion, Paul começou a publicar uma série de artigos nos quais articulava sua nova e sombria visão ecológica. Ele colocava suas opiniões contrárias ao que ele chamava neo-ambientalismo — a ideia de que, em suas palavras, a “civilização, a natureza e as pessoas só podem ser ‘salvas’ por meio da adoção entusiástica da biotecnologia, da biologia sintética, da energia atômica, da geoengenharia e de tudo o mais com o prefixo ‘neo/novo’ que tanto irrita o Greenpeace.” Ou, como Stewart Brand, o ”empreendedor social” de 75 anos mais conhecido por ser o editor do “Whole Earth Catalog” tem declarado: “Nós somos como os deuses e temos que ser bons nisso”.

Para Paul, a noção de que a tecnologia protelará os efeitos mais catastróficos do aquecimento global não é apenas errada, é repugnante — uma distorção da própria relação entre seres humanos e o mundo natural e uma evidência de que, nos estertores da crise, muitos ambientalistas têm abandonado o princípio de que “a natureza tem algum valor intrínseco e inerente além do instrumental”. Se perdermos de vista este ideal em nome da salvação da civilização, ele argumenta, se nos permitirmos construir estações eólicas em toda colina e painéis solares em todo deserto, nós estaremos aceitando a barganha faustiana.

Twyford Down

Quando Paul descreve como ele chegou a essa forma de pensar, ele quase sempre começa mencionando uma antiga colina calcária em Winchester, não muito longe do lugar onde o recente festival de Des-civilização aconteceu. Era o ano de 1992 e o governo conservador britânico estava prestes a inaugurar uma vasta rede de rodovias por toda a Inglaterra.

As rodovias tinham sido propostas três anos antes por Margaret Thatcher, cuja administração anunciava que engendrariam o “maior programa de construção de estradas desde os romanos”. E como aconteceu, eles também passariam por áreas que tinham sido mantidas intactas desde os romanos. A oposição frontal ao programa começou em uma colina chamada Twyford Down, através da qual o governo planejava construir uma autopista de seis faixas […]

As pessoas que estudam os movimentos populares atribuem, com frequência, aos protestos rodoviários dos anos 1990 a radicalização de uma geração de jovens britânicos. Esse foi certamente o caso de Paul Kingsnorth. Enquanto estudava em Oxford, ele passava muitos fins de semana em Twyford Down — participando de bloqueios físicos, brandindo cartazes e bradando slogans. Ele achava inebriante pôr-se na linha de frente por uma causa. Na Twyford Down ele foi preso pela primeira vez, por se acorrentar, junto com outras dezenas de pessoas, a uma ponte. Ele adorava aquilo. (Posteriormente, ele processou a polícia e recebeu uma indenização de 5 mil dólares). Paul estava ainda mais inebriado pela orgulhosa impraticabilidade dos protestos. O cerne das queixas dos manifestantes não era que as novas rodovias piorariam a poluição do ar, causaria acidentes automotivos ou fragmentaria comunidades; antes, o foco era que algumas coisas, como a beleza e o selvagem, eram — apesar de, ou talvez por causa de sua “inutilidade” — mais importantes do que chegar ao trabalho no horário certo ou mais rápido. A motivação era crua, intuitiva, e, em sua adoração wordsworthiana do arcadiano, algo muito, muito, inglês. Em um artigo intitulado “Confissões de um ambientalista em recuperação”, Paul escreveu que, depois de Twyford Down, ele “jurou, cheio de si, que aquilo seria a missão de sua vida: proteger a natureza contra as ações das pessoas. Evitando a destruição da beleza e esplendor, falando pelos mais fracos e ignorados e pelas coisas que não podiam falar por elas mesmas” […]

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[…] Foi enquanto “mochilava” com seu pai pelos pântanos de Cornwall e sobre as colinas de Northumberland que Paul Kingsnorth teve suas primeiras experiências catárticas na natureza — experiências que eram responsáveis pela direção que sua vida estava tomando agora. Mas seu pai não estava propenso a ver isso como um consolo. “Eu tinha ido para Oxford com um sujeito usando jeans e uma camiseta e, então, eu comecei a usar camisetas amarradas e colocar dreds nos cabelos e andar por aí com botas grandes”.

Paul só contaria ao seu pai sobre sua prisão dez anos depois do incidente. Nem ele encontraria um jeito de se esquivar das expectativas postas sobre ele. Sua vida entre 20 e 30 anos tinha sido uma mistura esquisita — e pouco exitosa — de idealismo e ambição. Na Oxford ele foi editor do Cherwell, o jornal estudantil universitário mais longínquo, de cuja equipe já participaram Graham Greene, W. H. Auden e (no outro extremo do negócio) Rupert Murdoch. Ele usou tal honra para barganhar um cargo com pesquisador no The Independent, em Londres. Em 1995, sete anos após a criação do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática e seis anos depois de um tratado global que regulava os CFCs, ele tinha que explicar a um editor a diferença entre aquecimento global e diminuição do ozônio.

Paul Kingsnorth permaneceu na Fleet Street por menos de um ano. Ele continuou em Londres por mais dois anos, trabalhando para uma entidade filantrópica mal administrada, escrevendo um romance de protesto que ninguém queria publicar e ficando cada vez mais estressado com os congestionamentos e o barulho. Finalmente ele voltou para Oxford, pensando que sobreviveria com freelances. O aluguel era barato e no fim dos anos 90 os pubs estavam cheios de ativistas e escritores verdes. Mas Paul tinha sempre encontrado dificuldade em se acomodar — outro traço, diz ele, herdado do pai. Em 2001, ávido por viajar, ele aceitou o conselho de seu agente literário para escrever sobre o crescente movimento antiglobalização, o qual tinha ganhado maior notoriedade dois anos antes quando milhares se reuniram para protestar contra a Organização Mundial do Comércio em Seattle, EUA.

 

Movimento Antiglobalização

Para Paul, o movimento antiglobalização foi tanto uma oportunidade quanto uma missão. Ele compareceu a protestos em massa em Praga, onde foi atingido por gás lacrimogênio pela primeira vez, e em Gênova, onde polícia baleou e matou um jovem anarquista a duas ruas de onde ele estava marchando. A experiência serviu para re-radicalizá-lo. “Foi similar ao que eu havia sentido nos protestos rodoviários”, ele me disse. “Ali estão milhões de pessoas que não gostam desta forma de encarar o mundo, não gostam deste modo de vida, não gostam deste jeito de ver o mundo.” Ele viajou para quatro continentes, rastreando as origens e os temas comuns do movimento.

Seu timing não podia ter sido pior. O livro veio a público em março de 2003, durante a primeira semana da guerra do Iraque. Ele caiu “com um baque inaudível”. Ele retornou para Oxford e passou os dois anos seguintes escrevendo panfletos, artigos e outro romance — para o qual, novamente, não conseguiu encontrar um editor — e ele começou a escrever “Real England” […]

[…] A reação de Paul à morte do pai foi um pouco complexa. Com frequência, ele suspeitava que, por trás de sua própria motivação por realizações — por suas opiniões divulgadas na TV e seus livros publicados por editoras mainstream, por liderar movimentos de massa — era, no fundo, uma necessidade de satisfazer as expectativas mais convencionais que seu pai nutria sobre ele. Agora, esta necessidade tornava-se obsoleta. Ele teve uma sensação de libertação, como se ele tivesse obtido a permissão para dizer o que ele queria dizer, de qualquer forma que quisesse se expressar. Ele sentido que podia, finalmente, e com uma consciência nítida, “ir para as margens”. Tudo o que precisava fazer agora era descobrir o que tudo aquilo queria dizer.

O primeiro seguidor

“Você sabe o que é um ‘primeiro seguidor’?”, perguntou-me Dougald Hine, o co-fundador do Dark Mountain. Foi numa sexta-feira, ao cair do crepúsculo, durante o festival de Des-civilização; nós havíamos levado nossos jantares para um passeio pela mata. Estávamos sentados sobre toras de madeira, com nossos pratos descartáveis de papel equilibrados sobre nossos joelhos.

O primeiro seguidor é um conceito apresentado pelo músico e empreendedor Derek Sivers em uma curta palestra do TED Talk intitulada “Como começar um movimento”. Na micro palestra, Sivers mostra um vídeo amador que começa com um homem sem camisa dando volteios descontrolados sobre uma colina no que parecia ser um show. Por um tempo, o homem dança sozinho, balançando os quadris e os braços como se estivesse possuído ou muito chapado. Com o tempo, alguém se junta a ele, e ambos dão as mãos e dão volteios juntos. E, num piscar de olhos, uma festa dançante eclode.

“O ponto é que o primeiro seguidor transforma você de um lunático em alguém que conseguiu começar algo” diz Dougald. Para ele, o equivalente ao dançarino solitário foi um par de posts publicados em um blog por Paul Kingsnorth, no final de 2007. O primeiro post era um discurso retórico bilioso sobre sua aposentadoria do jornalismo. (“A mídia pode se enforcar. Estou cheio disso. Estou fora”). O segundo, escrito após outra conferência internacional sobre o clima, expressava seu “jubiloso” abandono da esperança de que o aquecimento global podia ser detido. Dougald estava chegando aos 30, um sujeito malvestido, de olhar intenso, com um tufo rebelde de cabelo, ele tinha trabalhado, por anos, com infelicidade e intermitência, como repórter para a BBC. Assim como Paul, Dougald demitiu-se num espasmo de enojamento. Também como Paul, Dougald experimentou uma transformação em seus sentimentos sobre as mudanças climáticas: primeiro, uma fase obsessiva de desligar interruptores de lâmpadas e eletrônicos ociosos; depois, uma desanimada fase a lá Oskar Schindler do tipo ‘Isso nunca é suficiente'”; e, por fim, um ponto de repouso curioso. Ele enviou um e-mail para Paul, apresentando-se. No outono de 2008, encontraram-se em um pub em Oxford para discutirem como podia colaborar um com ou outro.

Durante a primeira reunião, Paul e Dougald passaram a maior parte do tempo trocando informações sobre suas influências — “mostrando um ao outro os seus respectivos mapas”, como Dougald coloca. Dougald falou sobre sua paixão pelo autor e crítico John Berger, que pelas últimas quatro décadas tem vivido e cultivado em uma pequena vila na França, e pelo falecido sacerdote e polímata austríaco Ivan Illich, um crítico feroz da cultura ocidental. Paul, por sua vez, apresentou a Dougald o poeta americano Robinson Jeffers, que rapidamente se tornou uma espécie de atração para o Dark Mountain.

Robinson Jeffers é pouco lido atualmente, mas ele foi um dos escritores mais celebrados dos anos 30 e quarenta do século XX. Amigo de Edward Weston e D.H. Lawrence, Jeffers viveu — como disse um crítico — escrevendo milhares de poemas imbuído do espírito do que ele chamava de ”Inumanismo” — “uma mudança de ênfase e significação do homem para o não-homem”. Numa época em que a Grande Depressão estava destruindo milhões de vidas e a Europa estava se militarizando para uma nova guerra, Jeffers via a história humana como uma força quase naturalmente inexorável e destrutiva. “A beleza do moderno/Homem não está nas pessoas,” ele escreveu em “Rearmament”, um poema que se tornou a epígrafe da “Des-civilização”: “mas no/Ritmo desastroso, as massas pesadas e móveis, a dança da/Massas oníricas pela montanha negra.”

As aspirações de Paul e de Dougald pelo manifesto não eram revolucionárias, mas também não eram niilistas. Cada homem estabelece uma distinção entre um “problema”, que pode ser resolvido, e um “embaraço”, que pode ser tolerado. A “des-civilização” estava firme em sua convicção de que as mudanças climáticas e as outras crises ecológicas são embaraços, o que exige um quadro de escritores de opiniões parecidas para “desfiar as narrativas que sustentam nossa civilização: o mito do progresso, o mito da centralidade humana e o mito da separação da ‘natureza’.

Os escritores cujas obras se encaixavam mais ou menos no conteúdo do manifesto responderam ao chamado de Paul e Dougald. Em 2010, ambos publicaram o primeiro do que viria a ser uma série de livros do Dark Mountain — essencialmente revistas literárias — de capa dura e ricamente ilustrados. Naomi Klein é, de longe, a mais conhecida dentre os colaboradores, mas a série também inclui extensas entrevistas com o ecologista cultural David Abram e com o crítico social Derrick Jensen.

Paul e Dougald consideram que os livros são a essência do trabalho do Dark Mountain. Não fosse pela onda de interesse que saudou o manifesto, Paul podia ter parado por ali, recolhendo-se à vida privada de pai e artista. O recolhimento era, afinal, o que ele procurava — ou o que ele achava que procurava. Em 2009, ele e sua esposa, uma psiquiatra do National Health Service (“SUS” inglês), decidiram mudar-se de Oxford para Câmbria, no extremo norte da Inglaterra. Paul queria passar seu tempo escrevendo; levando as crianças para fazerem trilhas nas colinas, assim como o seu pai o havia levado; e aprimorando suas habilidades com a segadeira, uma ferramenta que ele valorizava pela simplicidade e eficiência. (Nos últimos três verões, ele tinha dado aulas de colheita com a segadeira em uma área perto de sua casa). Em vez disso, ele se viu no comando de uma organização florescente que, até mesmo para seus críticos, estava mudando o debate ambiental na Grã-Bretanha e no resto da Europa. Era uma posição ligeiramente embaraçosa. Justamente quando Paul estava abandonando sua fé nos movimentos, ele estava se tornando o líder de um deles.

Festival de Des-civilização

Na primeira noite do festival de Des-civilização, em um abrigo sem paredes laterais, feito de placas de madeira conífera e cobertura de cedro coletados nas matas circundantes, acontecia um show. Um coro de Londres, o Songlines Choir, postava-se em frente a uma ampla lareira de argila e cantavam músicas de Cabo Verde e da Turquia, bem como uma canção baseada em um poema que apareceu no terceiro livro do Dark Mountain. A música centrava-se em um refrão queixoso, quase suplicante, “O que importa já está aqui”. Todos os performers estavam vestidos com algo na cor vermelho-bombeiro. Mais tarde, um cantor-compositor chamado Marmaduke Dando — ele se descreve, alternadamente, como um “crooner de teatro de revista neo-pagão” e como o “bardo do des-império” — cantou uma balada lânguida e mordaz intitulada “Amo meu país, odeio meu Estado”.

Assistindo ao show de uma das extremidades do abrigo, encontrei uma jovem, Sarah Thomas, que tinha passado o verão “mochilando” pela Inglaterra. No meio do show, decidimos ir checar um projeto de arte de Strang, o artista escocês, um desenho que acabara por se tornar o mais popular do festival. Estava chovendo e nós subimos e descemos a coluna na escuridão até chegarmos a uma minúscula cabana improvisada que tinha uma porta vermelha e uma placa redonda de madeira na qual se lia: “Charnel House for Roadkill” (Ossuário de Animais Mortos da Estrada).

A instalação era inspirada por um ensaio de Barry Lopez no qual ele sugeria que as pessoas prestassem condolências às vidas dos animais mortos ao cruzar estradas e rodovias. (“Sabe,” escrevia Lopez, “aqueles a quem você dá uma aparência de sepultamento, a quem você oferece uma apologia, podem ter sido videntes em uma cultura paralela. É um ato de respeito, uma técnica de percepção”.) A cabana estava bagunçada e era misteriosa, decorada com ossos de pequenos animais em estojos de vidro iluminados. Música de caça era projetada a partir de um iPod. Você passava por uma cortina, sentava-se e colocava uma pesada máscara de papel machê — uma imitação de texugo. Do outro lado, sentada atrás de uma janela na parede do fundo, encontrava-se uma outra pessoa — um voluntário — que também usava uma máscara de texugo. Ele ou ela sentava-se em silêncio, exceto quando imitava qualquer movimento que você fizesse que, levado pela emoção, pela fatiga, pela satisfação ou pelo pleno desconforto, você ia embora.

Sentado na cabana, circundado por um ar rançoso e uma luz quase inexistente, eu refletia sobre algo que Dougald tinha me falado mais cedo. “As pessoas acham que ao abandonar a crença no progresso, abandonar a crença de que se nos esforçarmos o bastante, nós conseguimos consertar essa baderna, é uma posição niilista. Elas pensam que estamos dizendo: ‘Dane-se. Nada importa’. Mas, na verdade, o que estamos dizendo é: ‘Não vamos fingir que não estamos sentindo um desespero. Vamos ponderar sobre isso por um tempo. Sejamos honestos conosco mesmos e uns com os outros. E então, enquanto nossos olhos se adaptam à escuridão, o que começamos a perceber'”?

Dougald compara esse “acerto de contas” com o escopo das perdas ecológicas vindouras com um “acerto de contas” com uma doença terminal. “Para começo de conversa, o sentimento é um sentimento de desespero, mas dentro deste espaço, outras coisas começam a sobreviver”. Ainda assim, chegar a este agudo estado de “consciência do que vale a pena fazer com o tempo que lhe resta” nem sempre é fácil para os seguidores do Dark Mountain. “Algumas pessoas vêm aqui,” Dougald me disse, “e elas ficam muito excitadas com o fato que as pessoas se inspiram e elas dizem: ‘Certo! Ótimo! Então, qual é o plano?'”. Ele e Paul têm se esforçado para conter esses impulsos, vendo no Dark Mountain um espaço para pôr de lado o que Paul define como “ímpetos ativista-ecos”.

Isso nem sempre foi assim. No primeiro festival, em 2010, Paul comportara-se da maneira que ele imaginava que um líder de um movimento novo devia se comportar. Ele tentava converter. Ele prelecionava. Ele dava uma palestra em que ele prescrevia: “É isso o que há de errado com o ambientalismo, e é isto o que deve ser mudado!”. Mas logo ele chegou à conclusão de que o tom didático era inapropriado para o novo grupo. O Dark Mountain tinha mais a ver com o anarquismo do Occupy Wall Street do que com o coletivismo do 350.org: todos tinham que escolher seu curso de ação. Recentemente, Paul e Dougald decidiram não fazer mais festivais. Eles querem focar seus recursos limitados na publicação de mais livros, com maior frequência, mas eles não querem que as reuniões se solidifiquem em um programa previsível, ou pior ainda, uma festa anual.

Dark Mountain quer permanecer “impraticável”

Para ativistas mais convencionais, a insistência do Dark Mountain em permanecer “impraticável” não é apenas desorientador, mas é também fastidioso. George Monbiot, um dos proeminentes jornalistas especializados em meio ambiente na Inglaterra, é também um dos mais antigos amigos de Paul. Em 2009, depois que o manifesto foi publicado, George e Paul participaram de um debate no The Guardian, jornal no qual George é colunista. Foi uma interação acalorada. Paul argumentou que a civilização estava se aproximando do colapso e que era o momento de se dar um passo atrás e discutir como conviver com isso com dignidade e honra. George respondeu que “dá um passo atrás” na ação política direta, era o equivalente a uma quase criminosa do dever moral de alguém. “Quantas pessoas você acredita que o mundo pode suportar sem os combustíveis fósseis ou sem um investimento equivalente em energia alternativa? ”, ele perguntou. “Quantos sobreviveriam sem a moderna civilização industrial? Dois bilhões? Um bilhão? Sob a sua visão de mundo, vários bilhões perecem. E você diz que não temos nada a temer”.

Naomi Klein também identifica uma abdicação problemática na obra de Paul Kingsnorth. “Eu gosto de Paul, mas ele tem dito de uma maneira bastante explícita que ele está desistindo. Nós temos que ser francos sobre o que podemos fazer. Nós temos que manter a possibilidade de fracasso em nossas mentes. Mas nós não temos que aceitar o fracasso. Há graus do quão ruim a coisa pode se tornar. Literalmente, há vários graus”.

Na superfície, parece, de fato, que Paul está desistindo. Na semana passada, ele e sua esposa fizeram uma mudança há muito planejada para a zona rural da Irlanda, onde eles cultivarão a maior parte da própria comida e escolarizarão seus filhos em casa — uma decisão, segundo ele me explicou, que se origina, em parte, no desejo de distanciar-se da civilização tecnológica e, em parte, no desejo de ensinar seus filhos as habilidades de que eles podem precisar em um futuro mais quente. Contudo, Paul nunca pretendeu retirar-se totalmente. Nos últimos três anos, ele tem gastado boa parte de seu tempo tentando deter a construção de um grande supermercado na área de Ulverston, no noroeste da Inglaterra. “Por que eu faço isso,” ele escreveu em um e-mail que me enviou, já antecipando minhas perguntas, “quando eu sei que, no contexto nacional, um outro supermercado não vai fazer qualquer diferença, e quando eu sei que eu não posso deter a tendência causada pela destruição da economia local, e quando eu sei que nós provavelmente não venceremos mesmo?” Ele faz isso — assegurou-me — porque o seu senso do que é valioso e bom sofre um ressalto diante de tudo o que aquela rede de supermercado representa. “Estou cada vez mais atraído pela ideia de que pode haver, pelo menos, pequenos oásis onde a vida, o caráter, a beleza e o sentido continuam. Se eu puder ajudar a protegê-los contra a destruição, talvez isso seja o bastante. Talvez seja mais do que a maioria das pessoas fazem”.

Esta é uma ética refletida no romance que ele acaba de publicar. Quando era um estudante — Paul me contou — seus professores descreviam a conquista normanda, de 1066, como uma transformação repentina. Um grupo de soldados normandos e franceses invadiram a Inglaterra, através do canal, e varreram do mapa a civilização anglo-saxã. Os modos antigos desapareceram e um novo mundo emergiu. Ele ficou muito surpreso ao descobrir, anos mais tarde, que um movimento de resistência acossou os conquistadores por uma década inteira. Aqueles nativos resistentes eram conhecidos como os Silvatici, ou “homens selvagens”. No final das contas, William, o Conquistador, levou-os a saírem das florestas e chacinou até o último deles. Eles já estavam condenados desde o início e eles sabiam disso. Mas isso não os tinha feito desistir da luta.

No relato de Paul, também nada os impediu de imaginar se devia ou não manter a luta. Na manhã seguinte ao show, em pé próximo a um abrigo de madeira, ele descrevia seu romance com sendo tanto sobre o colapso de uma civilização e sobre o colapso de certezas há muito acalentadas em relação ao que significa ser civilizado. Suas ressalvas iniciais foram vivazes e divertidas, mas também um pouco nervosas, como se ele estivesse relutante em começar. Mais tarde, ele me disse que era a primeira vez que lia publicamente o livro. Ele leu uma passagem estranha, uma espécie de visão onírica sobre um menino e um veado. “Não faço a menor ideia de qual parte de meu subconsciente eu desenterrei isso,” ele me disse, “mas a conversa que eles acabam por entabular é bem próxima da conversa que eu tenho comigo, no momento mesmo em que eu tenho que decidir o que possivelmente farei para ser de alguma relevância”:

“quando serei livre diz a criança para o veado

e o veado diz você nunca será livre

então quando a Inglaterra será livre

a Inglaterra nunca será livre

então o que pode ser feito

nada pode ser feito

então quanto eu devo viver

tu deve tentar e isto é tudo o que há

tentar

tentar”

“Espero que essas divagações sejam de alguma utilidade para você!”, ele se despediu. “Vou tomar uma taça de vinho e tentar não me preocupar com isso.”

 

Anexo 2: Desescolarização

Seguem alguns links sobre o movimento de desescolarização no Brasil, lembrando que hoje esse debate e essa discussão é Global:

Vejam por favor o vídeo abaixo de uma pessoa que tem boas ideias: Carla Ferro.

https://www.youtube.com/watch?v=zuB8NHTcCOI

 

Documentário da Clara Bellar sobre desescolarização (Ser e Vir a Ser), tal vez o único documentário que existe na atualidade sobre o tema e tem várias famílias que trazem essa relação com a floresta, com a natureza:

https://www.youtube.com/watch?v=lpzhUhAiOhw

 

Curta entrevista à Clara Bellar, em português:

http://www.ebc.com.br/infantil/para-pais/2015/03/documentario-apresenta-desescolarizacao-como-opcao-para-familias

 

Site que se dedica a pensar desescolarização:

https://estonoesunaescuela.org/bitacora/homeschooling/mil-rios#.Vo_fHE_7K04

 

Duas entrevistas sobre desescolarização:

 

https://www.youtube.com/watch?v=tNYgHDkpxcg

 

https://vimeo.com/66307546

 


 

 

Late one night last August, on the chalk downlands of southern England, Paul Kingsnorth stood in a field beside an old-growth forest, two yurts and a composting toilet. Kingsnorth is 41, tall, slim and energetic, with sweeping brown hair and a sparse beard. He wears rimless glasses and a silver stud in his ear, and he talks with great ardor, often apologizing for having said too much or for having said it too strongly.

On this occasion, Kingsnorth was silent. It was the final night of Uncivilization, an outdoor festival run by the Dark Mountain Project, a loose network of ecologically minded artists and writers, and he was standing with several dozen others waiting for the festival’s midnight ritual to begin. Kingsnorth, a founder of the group, had already taken part in several sessions that day, including one on contemporary nature writing; a panel about the iniquities of mainstream psychiatric care; and a reading from his most recent book, “The Wake,” a novel set in the 11th century and written in a “shadow language” — a mash-up of Old and modern English. He had also helped his two young children assemble a train set while trying to encapsulate his views on climate change and environmental degradation in what Kingsnorth describes as an era of global disruption. The “human machine,” as he sometimes puts it, has grown to such a size that breakdown is inevitable. What, then, do we do?

In the clearing, above a pyre, someone had erected a tall wicker sculpture in the shape of a tree, with dense gnarls and hanging hoops. Four men in masks knelt at the sculpture’s base, at cardinal compass points. When midnight struck, a fifth man, his head shaved smooth and wearing a kimono, began to walk slowly around them. As he passed the masked figures, each ignited a yellow flare, until finally, his circuit complete, the bald man set the sculpture on fire. For a couple of minutes, it was quiet. Then as the wicker blazed, a soft chant passed through the crowd, the words only gradually becoming clear: “We are gathered. We are gathered. We are gathered.”

After that came disorder. A man wearing a stag mask bounded into the clearing and shouted: “Come! Let’s play!” The crowd broke up. Some headed for bed. A majority headed for the woods, to a makeshift stage that had been blocked off with hay bales and covered by an enormous nylon parachute. There they danced, sang, laughed, barked, growled, hooted, mooed, bleated and meowed, forming a kind of atavistic, improvisatory choir. Deep into the night, you could hear them from your tent, shifting every few minutes from sound to sound, animal to animal and mood to mood.

The next morning over breakfast, Dougie Strang, a Scottish artist and performer who is on Dark Mountain’s steering committee, asked if I’d been there. When he left, at 3 a.m., he said, people were writhing in the mud and singing, in harmony, the children’s song “Teddy Bears’ Picnic.” (“If you go down in the woods today, you’re sure of a big surprise.”) “Wasn’t it amazing?” he said, grinning. “It really went mental. I think we actually achieved uncivilization.”

The Dark Mountain Project was founded in 2009. From the start, it has been difficult to pin down — even for its members. If you ask a representative of the Sierra Club to describe his organization, he will say that it promotes responsible use of the earth’s resources. When you ask Kingsnorth about Dark Mountain, he speaks of mourning, grief and despair. We are living, he says, through the “age of ecocide,” and like a long-dazed widower, we are finally becoming sensible to the magnitude of our loss, which it is our duty to face.

Kingsnorth himself arrived at this point about six years ago, after nearly two decades of devoted activism. He had just completed his second book, “Real England,” a travelogue about the homogenizing effects of global capitalism on English culture and character. “Real England” was a great success — the first of his career. All the major newspapers reviewed the book; the archbishop of Canterbury and David Cameron (then the opposition leader) cited it in speeches; Mark Rylance, the venerated Shakespearean actor, adopted it as a kind of bible during rehearsals for his hit play “Jerusalem.” Yet Kingsnorth found himself strangely ambivalent about the praise. “Real England” was a painful book to write. For months he interviewed publicans, shopkeepers and farmers fighting to maintain small, traditional English institutions — fighting and losing. Everywhere Kingsnorth traveled, he saw the forces of development, conglomeration and privatization flattening the country. By the time he published his findings, he was in little mood to celebrate.

At the same time, he felt his longstanding faith in environmental activism draining away. “I had a lot of friends who were writing about climate change and doing a lot of good work on it,” he told me during a break from his festival duties. “I was just listening and looking at the facts and thinking: Wow, we are really screwed here. We are not going to stop this from happening.”

The facts were indeed increasingly daunting. The first decade of the 21st century was shaping up to be the hottest in recorded history. In 2007, the Arctic sea ice shrank to a level not seen in centuries. That same year, the NASA climatologist James Hansen, who has been ringing the climate alarm since the 1980s, announced that in order to elude the most devastating consequences, we’d need to maintain carbon dioxide in the atmosphere at a level of 350 parts per million. But we’d already surpassed 380, and the figure was rising. (It has since reached 400 p.p.m.) Animal and plant species, meanwhile, were dying out at a spectacular rate. Scientists were beginning to warn that human activity — greenhouse-gas emissions, urbanization, the global spread of invasive species — was driving the planet toward a “mass extinction” event, something that has occurred only five times since life emerged, 3.5 billion years ago.

“Everything had gotten worse,” Kingsnorth said. “You look at every trend that environmentalists like me have been trying to stop for 50 years, and every single thing had gotten worse. And I thought: I can’t do this anymore. I can’t sit here saying: ‘Yes, comrades, we must act! We only need one more push, and we’ll save the world!’ I don’t believe it. I don’t believe it! So what do I do?”

The first thing that Kingsnorth did was draft a manifesto. Also called “Uncivilization,” it was an intense, brooding document that vilified progress. “There is a fall coming,” it announced. “After a quarter-century of complacency, in which we were invited to believe in bubbles that would never burst, prices that would never fall . . . Hubris has been introduced to Nemesis.”

The initial print run of “Uncivilization” was only 500 copies. Yet the manifesto gained widespread attention. The philosopher John Gray reviewed it in The New Statesman. Professors included it on their reading lists. An events space in Wales invited Kingsnorth and Dougald Hine, Dark Mountain’s co-founder, to put on a festival; 400 people showed up. Doug Tompkins, the billionaire who started the outdoor-apparel company the North Face, and his wife, Kristine Tompkins, the former C.E.O. of Patagonia, offered financing and invited Kingsnorth and his family to spend two months on land they own in southern Chile.

There were others, however, who saw Kingsnorth’s new work as a betrayal. With waters rising, deserts spreading and resource wars looming, how could his message be anything but reckless — even callous? He and his sympathizers were branded “doomers,” “nihilists” and (Kingsnorth’s favorite epithet) “crazy collapsitarians.” One critic, a sustainability advocate, published an essay in The Ecologist — a magazine Kingsnorth once helped run — comparing Dark Mountaineers to the complacent characters in the Douglas Adams novel “The Restaurant at the End of the Universe”: “Diners [who] enjoyed watching the obliteration of life, the universe and everything whilst enjoying a nice steak.”

Kingsnorth regards such charges with equanimity, countering that the only hope he has abandoned is false hope. The great value of Dark Mountain, he has claimed, is that it gives people license to do the same. “Whenever I hear the word ‘hope’ these days, I reach for my whiskey bottle,” he told an interviewer in 2012. “It seems to me to be such a futile thing. What does it mean? What are we hoping for? And why are we reduced to something so desperate? Surely we only hope when we are powerless?”

Instead of trying to “save the earth,” Kingsnorth says, people should start talking about what is actually possible. Kingsnorth has admitted to an ex-activist’s cynicism about politics as well as to a worrying ambivalence about whether he even wants civilization, as it now operates, to prevail. But he insists that he isn’t opposed to political action, mass or otherwise, and that his indignations about environmental decline and industrial capitalism are, if anything, stronger than ever. Still, much of his recent writing has been devoted to fulminating against how environmentalism, in its crisis phase, draws adherents. Movements like Bill McKibben’s 350.org, for instance, might engage people, Kingsnorth told me, but they have no chance of stopping climate change. “I just wish there was a way to be more honest about that,” he went on, “because actually what McKibben’s doing, and what all these movements are doing, is selling people a false premise. They’re saying, ‘If we take these actions, we will be able to achieve this goal.’ And if you can’t, and you know that, then you’re lying to people. And those people . . . they’re going to feel despair.”

Whatever the merits of this diagnosis (“Look, I’m no Pollyanna,” McKibben says. “I wrote the original book about the climate for a general audience, and it carried the cheerful title ‘The End of Nature’ ”), it has proved influential. The author and activist Naomi Klein, who has known Kingsnorth for many years, says Dark Mountain has given people a forum in which to be honest about their sense of dread and loss. “Faced with ecological collapse, which is not a foregone result, but obviously a possible one, there has to be a space in which we can grieve,” Klein told me. “And then we can actually change.”

Kingsnorth would agree with the need for grief but not with the idea that it must lead to change — at least not the kind of change that mainstream environmental groups pursue. “What do you do,” he asked, “when you accept that all of these changes are coming, things that you value are going to be lost, things that make you unhappy are going to happen, things that you wanted to achieve you can’t achieve, but you still have to live with it, and there’s still beauty, and there’s still meaning, and there are still things you can do to make the world less bad? And that’s not a series of questions that have any answers other than people’s personal answers to them. Selfishly it’s just a process I’m going through.” He laughed. “It’s extremely narcissistic of me. Rather than just having a personal crisis, I’ve said: ‘Hey! Come share my crisis with me!’ ”

In 2012, in the nature magazine Orion, Kingsnorth began to publish a series of essays articulating his new, dark ecological vision. He set his views in opposition to what he called neo-environmentalism — the idea that, as he put it, “civilization, nature and people can only be ‘saved’ by enthusiastically embracing biotechnology, synthetic biology, nuclear power, geoengineering and anything else with the prefix ‘new’ that annoys Greenpeace.” Or as Stewart Brand, the 75-year-old “social entrepreneur” best known as the publisher of the ” Whole Earth Catalog,” has put it: “We are as gods and have to get good at it.”
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For Kingsnorth, the notion that technology will stave off the most catastrophic effects of global warming is not just wrong, it’s repellent — a distortion of the proper relationship between humans and the natural world and evidence that in the throes of crisis, many environmentalists have abandoned the principle that “nature has some intrinsic, inherent value beyond the instrumental.” If we lose sight of that ideal in the name of saving civilization, he argues, if we allow ourselves to erect wind farms on every mountain and solar arrays in every desert, we will be accepting a Faustian bargain.

When Kingsnorth describes how he came to this way of thinking, he nearly always begins with an ancient chalk hill outside Winchester, not far from the site of the recent Uncivilization festival. It was 1992, and the conservative British government was about to break ground on a vast network of highways across England.

The highways were proposed three years earlier by Margaret Thatcher, whose administration announced that they would constitute the “biggest road-building program since the Romans.” As it happened, they would also cut through areas that had remained unspoiled since the Romans. Direct opposition to the program began at a hill called Twyford Down, through which the government planned to build a six-lane highway. The purpose of the road was to reduce the commute to London by a matter of minutes. In 1992, a small band of radicals calling themselves the Dongas staged a demonstration. Soon road protests were popping up across the country, drawing support from itinerant hippies, the working classes and the nobility.
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Kingsnorth protesting the construction of a bypass near Bath in 1994.Credit Photograph by Adrian Arbib
Students of popular movements often credit the road protests of the 1990s with radicalizing a generation of British youth. This is certainly true of Kingsnorth. While at Oxford, he spent many weekends at Twyford Down — locking arms, waving placards, shouting slogans. He found it intoxicating to put himself on the line for a cause. At Twyford Down, he was arrested for the first time, for chaining himself, along with 50 others, to a bridge. He loved it. (He later sued the police and received a settlement of $5,000.) Kingsnorth was even more intoxicated by the proud impracticality of the protests. The core of the demonstrators’ complaints was not that the new highways would worsen air pollution, cause car accidents or fracture communities; it was that some things, like wilderness and beauty, were — despite, or perhaps because of, their “uselessness” — more important than getting to work on time. The motivation was raw, intuitive and, in its Wordsworthian love of the Arcadian, very, very English. In an essay titled “Confessions of a Recovering Environmentalist,” Kingsnorth wrote that after Twyford Down, he “vowed, self-importantly, that this would be my life’s work: Saving nature from people. Preventing the destruction of beauty and brilliance, speaking up for the small and the overlooked and the things that could not speak for themselves.”

It proved easier to make this vow than to act on it. The chief obstacle was his father: a driven, competitive man who scraped his way up from a working-class background to become the head of a manufacturing firm. Kingsnorth’s father was not without a love of the outdoors, but it was a striving, willful kind of love. He often took Kingsnorth on long, arduous hiking trips, forcing him to carry heavy packs and disappearing far up the trail to teach his son the virtues of independence and struggle.

These trips were both trials and revelations. It was while backpacking with his father on the moors of Cornwall and atop the hills of Northumberland that Kingsnorth had his first cathartic experiences in nature — experiences that were responsible for the direction his life was now taking. But his father wasn’t prone to seeing that as a consolation. “I’d gone off to Oxford as a guy in jeans and a T-shirt,” Kingsnorth says, “then I started wearing tie-dye tops and putting beads in my hair and walking around in big boots, as dudes do.”

Kingsnorth wouldn’t tell his father about his arrest for 10 years. Nor would he find a way to elude the expectations placed on him. His 20s were an awkward — and not very successful — mix of idealism and ambition. At Oxford he was editor of Cherwell, the university’s longest-running student newspaper, whose staff has included Graham Greene, W. H. Auden and (on the business end) Rupert Murdoch. He parlayed this honor into an entry-level position as a researcher at The Independent, in London. He was miserable. He found the work frivolous and his superiors out of touch. In 1995, seven years after the creation of the Intergovernmental Panel on Climate Change and six years after a global treaty regulating CFCs, he had to explain to an editor the difference between global warming and ozone depletion.

Kingsnorth lasted on Fleet Street for less than a year. He stayed in London another two, working for a poorly run nonprofit, writing a protest novel no one wanted to publish and getting increasingly fed up with the congestion and noise. Finally he returned to Oxford, figuring he would freelance. The rent was cheap, and in the late 1990s the pubs were filled with green activists and writers. But Kingsnorth has always found it difficult to stand still — another trait, he says, he inherited from his father. In 2001, hungry to travel, he took his agent’s advice to write a book about the growing anti-globalization movement, which came to prominence two years before when thousands gathered to protest the World Trade Organization in Seattle.

For Kingsnorth, the anti-globalization movement was both opportunity and mission. He attended mass protests in Prague, where he was tear-gassed for the first time, and Genoa, where the police shot and killed a young anarchist two streets from where Kingsnorth was marching. The experiences radicalized him anew. “It was similar to what I’d felt at the road protests,” he told me. “Here’s millions of people who don’t like this way of measuring the world, don’t like this way of living, don’t like this way of seeing the world.” He made reporting trips to four continents, tracing the movement’s roots and common themes.

His timing could not have been worse. His book came out in March 2003, during the first week of the Iraq war. It landed “with an inaudible thud.” He returned to Oxford and spent the next few years writing pamphlets, articles and another novel (for which, again, he could not find a publisher), and he began “Real England.”

In August 2007, as he was picking flowers in the small back garden of his house, he got a call that his father had killed himself. Kingsnorth’s father had been living in Cyprus, in semiretirement. His marriage had fallen apart. He had a nervous breakdown and spent time in a psychiatric hospital. One morning, he wrote a bitter suicide note, got in his car and drove full speed into a parked truck.

Kingsnorth’s reaction to his father’s death was conflicted. He’d often suspected that behind his own drive to achieve — to have his opinions aired on television and his books published by mainstream presses, to lead mass movements — was a need to satisfy his father’s more conventional expectations of him. Now that need was obsolete. He felt a sense of release, as if he’d been given permission to say what he wanted to say, in any way he wanted to say it. He felt he could finally, with a clear conscience, “go to the margins.” All he had to do was figure out what that meant.

“Do you know what the ‘first follower’ is?” Dougald Hine, Dark Mountain’s co-founder, asked me. It was Friday at dusk during the Uncivilization festival, and we had taken our dinners out to the woods to talk. We were sitting on logs, our paper plates balanced on our knees.

The first follower is a concept introduced by the musician and entrepreneur Derek Sivers in a short TED talk titled, “How to Start a Movement.” In the talk, Sivers shows an amateur video that begins with a shirtless man gyrating wildly on a hillside at what seems to be a concert. For a while the man dances alone, swinging his hips and arms as if possessed, or more likely high. Eventually someone joins him, and they hold hands and gyrate together. Before you know it, a full-fledged dance party has broken out.

“The point being,” Hine said, “that the first follower transforms you from a lunatic into someone who’s got the beginning of something.”
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Kingsnorth, on stump, and Dougald Hine, in red sweater, at the 2013 Uncivilization festival.Credit Photograph by Bridget McKenzie
For Hine, the equivalent of the lone dancer was a pair of blog posts Kingsnorth wrote in late 2007. The first was a bilious rant announcing his retirement from journalism. (“The media can go hang. I’ve had it. I’m out.”) The second, written after yet another international climate conference sputtered out, expressed his “joyous” abandonment of hope that global warming could be stopped. Hine was just turning 30. A scruffy, bright-eyed man with an unruly mop of hair, he had for years worked, unhappily and off and on, as a radio reporter for the BBC. Like Kingsnorth, he quit in a spasm of disgust. Also like Kingsnorth, Hine experienced a transformation in his feelings about climate change: first an obsessive phase of turning off light switches and idling electronics; then a despondent “Oskar Schindler phase of ‘It’s never enough’ ”; then a point of curious repose. He emailed Kingsnorth and introduced himself. In the fall of 2008, they met at a pub in Oxford to discuss how they might collaborate.

During their first meeting, Kingsnorth and Hine spent most of their time exchanging influences — “showing each other our maps,” is how Hine puts it. Hine talked about his passion for the author and critic John Berger, who for the past four decades has lived and farmed in a small French village, and for the late Austrian priest and polymath Ivan Illich, a fierce critic of Western culture. Kingsnorth, in turn, introduced Hine to the American poet Robinson Jeffers, who quickly became a kind of lodestar for Dark Mountain.

Jeffers is little read today, but he was one of the most celebrated writers of the 1930s and 1940s. A friend of Edward Weston and D. H. Lawrence, he lived, as one critic put it, “like a reclusive movie-star-wizard” in a stone tower overlooking the Pacific, writing hundreds of poems endowed with the spirit of what he came to call Inhumanism — “a shifting of emphasis and significance from man to not-man.” At a time when the Great Depression was destroying millions of lives and Europe was militarizing for a new war, Jeffers saw human history as an inexorable, almost naturally destructive force. “The beauty of modern/Man is not in the persons,” he wrote in “Rearmament,” a poem that became the epigraph for “Uncivilization,’, “but in the/Disastrous rhythm, the heavy and mobile masses, the dance of the/Dream-led masses down the dark mountain.”

Kingsnorth and Hine’s aspirations for their manifesto weren’t revolutionary, but neither were they nihilistic. Each man draws a distinction between a “problem,” which can be solved, and a “predicament,” which must be endured. “Uncivilization” was firm in its conviction that climate change and other ecological crises are predicaments, and it called for a cadre of like-minded writers to “challenge the stories which underpin our civilization: the myth of progress, the myth of human centrality and the myth of separation from ‘nature.’ ”

Writers whose work more or less fit the manifesto’s bill answered Kingsnorth’s and Hine’s call. In 2010, he and Hine published the first in what has become a series of Dark Mountain books — literary journals, essentially — hard-bound and lavishly illustrated. Naomi Klein is by far the best known of the contributors, but the series also includes lengthy interviews with the cultural ecologist David Abram and the social critic Derrick Jensen.

Kingsnorth and Hine consider the books to be the heart of Dark Mountain’s work. Had it not been for the surge of interest that greeted the manifesto, Kingsnorth might have stopped there, retreating into the private life of a father and an artist. Retreat was, after all, what he was after — or what he thought he was after. In 2009, he and his wife, a psychiatrist with the National Health Service, decided to move from Oxford to Cumbria, in the far north of England. Kingsnorth wanted to spend his time writing; taking his children for hikes in the hills, as his father had taken him; and improving his skills on the scythe, a tool he valued for its simplicity and efficiency. (For the past three summers, he has taught scything classes in the area around his home.) Instead he found himself at the head of a burgeoning organization that even its critics might concede was changing the environmental debate in Britain and the rest of Europe. It was a slightly awkward position. Just when Kingsnorth had publicly abandoned faith in movements, he became the leader of one.

On the first night of the Uncivilization festival, in an open-sided shelter made of soft-wood planks and cedar shingles drawn from the surrounding woods, there was a concert. A choral group from London, the Songlines Choir, stood in front of a wide clay fireplace and performed music from Cape Verde and Turkey, as well as a song based on a poem that appeared in the third Dark Mountain book. The song centered on the plaintive, almost pleading refrain, “What matters is already here.” All the performers were dressed in fire-engine red. Later, a singer-songwriter named Marmaduke Dando — he describes himself, alternately, as “a neo-pagan vaudeville crooner” and the “bard of disempire” — sang a bitter and languid ballad titled “Love My Country, Hate My State.”

Watching the concert at the edge of the shelter, I met a young woman, Sarah Thomas, who’d spent the summer backpacking around England. Halfway through the show, we decided to check out an art project by Strang, the Scottish artist, that had emerged as the festival’s most popular draw. It was raining, and we walked up and down hills in the dark until we came to a tiny makeshift hut with a red door and a round wooden sign that read “Charnel House for Roadkill.”

The installation was inspired by a Barry Lopez essay in which he suggests that people pay respect to the lives of animals killed crossing roads and highways. (“You never know,” Lopez writes, “the ones you give some semblance of a burial, to whom you offer an apology, may have been like seers in a parallel culture. It’s an act of respect, a technique of awareness.”) The hut was cramped and eerie, decorated with the bones of small animals in illuminated glass cases. Haunting music was piped in from an iPod. You walked through a curtain, sat down and put on a heavy papier-mâché mask — a badger surrogate. Directly across from you, seated behind a window in the back wall, was another person — a volunteer — also wearing a badger mask. He or she sat silently, except when mirroring whatever movements you made, until, driven by emotion, fatigue, satisfaction or plain discomfort, you left.

Sitting in the hut, the air stale and the light almost nonexistent, I thought of something Hine told me earlier. “People think that abandoning belief in progress, abandoning the belief that if we try hard enough we can fix this mess, is a nihilistic position,” Hine said. “They think we’re saying: ‘Screw it. Nothing matters.’ But in fact all we’re saying is: ‘Let’s not pretend we’re not feeling despair. Let’s sit with it for a while. Let’s be honest with ourselves and with each other. And then as our eyes adjust to the darkness, what do we start to notice?’ ”

Hine compared coming to terms with the scope of ecological loss to coming to terms with a terminal illness. “The feeling is a feeling of despair to begin with, but within that space other things begin to come through.” Yet arriving at this acute state of “awareness of what’s worth doing with the time you’ve got left” isn’t always easy for Dark Mountain’s followers. “Some people come here,” Hine told me, “they get very excited by the fact that people are inspired, and they go: ‘Right! Great! So what’s the plan?’ ” He and Kingsnorth have worked hard to check this impulse, seeing Dark Mountain as a space to set aside what Kingsnorth refers to as “activist-y” urges.

This wasn’t always the case. At the first festival, in 2010, Kingsnorth behaved the way he thought the leader of a new movement ought to behave. He proselytized. He lectured. He gave a talk that he describes as “Here’s what’s wrong with environmentalism, and this is what must change!” But he quickly concluded that a didactic tone was inappropriate for the new group. Dark Mountain had more in common with the anarchism of Occupy Wall Street than with the collectivism of 350.org: everyone was to choose his or her own course of action. Recently, Kingsnorth and Hine decided not to hold any more festivals. They want to focus their limited resources on publishing more books more frequently, but they also don’t want the gatherings to ossify into a predictable program — or worse, an annual party.

For more conventional activists, Dark Mountain’s insistence on remaining impractical can be not only disorienting but also irksome. George Monbiot, one of the England’s most prominent environmental journalists, is among Kingsnorth’s oldest friends. In 2009, after the manifesto was published, he and Kingsnorth held a debate in The Guardian, for which Monbiot writes a column. It was a heated exchange. Kingsnorth argued that civilization was approaching collapse and that it was time to step back and talk about how to live through it with dignity and honor. Monbiot responded that “stepping back” from direct political action was equivalent to a near-criminal disavowal of one’s moral duty. “How many people do you believe the world could support without either fossil fuels or an equivalent investment in alternative energy?” he asked. “How many would survive without modern industrial civilization? Two billion? One billion? Under your vision, several billion perish. And you tell me we have nothing to fear.”

Naomi Klein also sees a troubling abdication in Kingsnorth’s work. “I like Paul, but he’s said rather explicitly that he’s giving up,” she told me. “We have to be honest about what we can do. We have to keep the possibility of failure in our minds. But we don’t have to accept failure. There are degrees to how bad this thing can get. Literally, there are degrees.”

On the surface, it can indeed seem as if Kingsnorth is giving up. Last week, he and his wife made a long-planned move to rural Ireland, where they will be growing much of their own food and home schooling their children — a decision, he explained to me, that stemmed in part from a desire to distance himself from technological civilization and in part from wanting to teach his children skills they might need in a hotter future. Yet Kingsnorth has never intended to retreat altogether. For the past three years, he has spent a good portion of his time trying to stop a large supermarket from being built in Ulverston, in northern England. “Why do I do this,” he wrote to me in an email, anticipating my questions, “when I know that in a national context another supermarket will make no difference at all, and when I know that I can’t stop the trend caused by the destruction of the local economy, and when I know we probably won’t win anyway?” He does it, he said, because his sense of what is valuable and good recoils at all that supermarket chains represent. “I’m increasingly attracted by the idea that there can be at least small pockets where life and character and beauty and meaning continue. If I could help protect one of those from destruction, maybe that would be enough. Maybe it would be more than most people do. “

It’s an ethic reflected in the novel he has just published. When he was a schoolboy, Kingsnorth told me, his teachers described the Norman Conquest, in 1066, as a swift transformation. An army of Norman and French soldiers from across the channel invaded England and swept away Anglo-Saxon civilization. The old ways vanished, and a new world emerged. He was surprised to learn, much later, that a resistance movement bedeviled the conquerors for a full decade. These resisters were known as the Silvatici, or “wild men.” Eventually William the Conqueror drove them from the woods and slaughtered every last one of them. They were doomed from the start, and knew it. But that hadn’t stopped them from fighting.

In Kingsnorth’s telling, it also didn’t stop them from wondering whether they should keep fighting. On the afternoon following the concert, standing in the wooden shelter, he described his novel as being both about the collapse of a civilization and about the collapse of long-cherished certainties about what it means to be civilized. His introductory remarks were lively and entertaining, but nervously so, as if he were reluctant to begin. Later, he told me it was the first time he’d ever read publicly from the book. He read a strange excerpt, a sort of dream vision about a young boy and a stag. “I have no idea which part of my subconscious I dredged this up from,” he later wrote me, “but the conversation they end up having is pretty much the conversation I have with myself at the moment when it comes to what the hell I can possibly do to be of any use at all”:

when will i be free saes the cilde to the stag

and the stag saes thu will nefer be free

then when will angland be free

angland will nefer be free

then what can be done

naht can be done

then how moste i lif

thu moste be triewe that is all there is

be triewe

be triewe

“I hope these ramblings are of some use to you!” he signed off. “I will have a glass of wine now and try not to worry about it.”

Daniel Smith is the author of “Monkey Mind: A Memoir of Anxiety.” He holds the Critchlow Chair in English at the College of New Rochelle.

Editor: Sheila Glaser

A version of this article appears in print on April 20, 2014, on page MM28 of the Sunday Magazine with the headline: It’s the End of the World as We Know It . . . and He Feels fine. Today’s Paper|Subscribe
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