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Sociedade do Cansaço

Byung-Chul_Han_web_resized

 

        

O nome do autor desse pequeno livrinho é quase impronunciável: Byung-Chul Han, nascido na Coréia e fixado na Alemanha. Fui atrás de um coreano e perguntei pela pronúncia. E a sugestão foi Pian-Chôl-Han e se non é vero é bene trovato. Estudou Filosofia na Universidade de Friburgo, Literatura Alemã e Teologia na Universidade de Munique. Em 1994, doutorou-se com uma tese sobre Martin Heidegger. Atualmente é professor de Filosofia e Estudos Culturais na Universidade de Berlim. Ensaísta, escreve sobre temas atuais.

Gosto muito desse gênero, o ensaio, e a Sociedade do Cansaço é um primor. O autor faz, inspirando-se em M. Heidegger, uma espécie de diagnóstico da sociedade contemporânea, vale dizer, do século XXI. Estabelece, para isso, uma discussão com vários filósofos: Hannah Arendt, Gilles Deleuze, Giorgio Agamben, Friedrich Nietzsche; todavia, o seu principal interlocutor é Michel Foucault e a sociedade disciplinar, pertinente aos séculos XIX e XX, feita de asilos, hospitais, fábricas, prisões, quartéis e descrita primorosamente em Vigiar e Punir.  Na base da sociedade disciplinar o xantóptico: uma metáfora de vigilância do espaço e do tempo para a “produção” de corpos dóceis, produtivos e obedientes. A sociedade disciplinar é uma sociedade da negatividade, dominada pelo não, pela proibição e pela coerção. O verbo modal negativo que a domina é não-ter-o-direito.  Sua negatividade gera loucos e delinquentes.

Em muito pouco tempo, sempre segundo Byung-Chul-Han, a sociedade se transformou, a ponto de já não mais denominar-se sociedade disciplinar. Estamos “além” da sociedade disciplinar, estamos vivendo em sociedade de desempenho e nela os sujeitos não mais são os “sujeitos da obediência”, mas “sujeitos do desempenho e produção”. Empreendedores. Para que essa passagem ocorresse uma mudança na estrutura psíquica dos indivíduos se produziu.

  1. Negatividade do paradigma Imunológico X Excesso de positividade

A época do paradigma imunológico, o século XX, está se esgotando. São características dessa época a divisão entre o dentro e o fora, o amigo e o inimigo, o próprio e o estranho — este último, em particular, eliminado em função de sua alteridade.  Vale dizer, a alteridade é a característica fundamental da imunologia e, não por acaso, seu vocabulário é o da guerra: a ação é definida como ataque e a defesa. Toda e qualquer reação imunológica repousa na alteridade/na interioridade/na negatividade. Globalização e paradigma imunológico não caminham juntos. O mundo organizado imunologicamente possui muros, cercas, barreiras, soleiras, trincheiras. Essa organização impede o processo de troca e intercâmbio e não é então adequado à globalização.

São essas as peças chaves desse paradigma: alteridade/ interioridade e negatividade. E é no — e com — o esgotamento dessas matrizes que se impôs a mudança na estrutura psíquica dos indivíduos a qual nos interessa particularmente discutir.

Com o desaparecimento da alteridade, o mundo torna-se pobre em negatividades. O excesso de positividades é a característica da nossa presente época, marcada por patologias específicas: depressão, transtorno de déficit de atenção com síndrome de hiperatividade (TDAH), transtorno de personalidade limítrofe, Síndrome de Burnout. Vivemos uma violência de positividade, que podemos traduzir em supercomunicação, superprodução e superdesempenho. A hiperatividade representa a massificação do positivo.

  1. Yes, we can: mudança na estrutura psíquica

O caráter positivo da sociedade de desempenho é expresso por Yes, we can.  Maximizar a produção: essa palavra de ordem já habita o inconsciente social. No lugar de proibição, mandamento ou lei, entram iniciativa, projeto, motivação.  A positividade do poder é mais eficiente que a negatividade do dever!  O sujeito de desempenho é mais rápido e produtivo que o sujeito da obediência. Convocado pela rapidez, ele realiza um grande número de tarefas ao mesmo tempo (multitarefas) e sua atenção também se multiplica: hiperatenção com uma rápida mudança de foco entre diversas atividades, processos e fontes informativas e com isso a atenção perde a profundidade e torna-se cada vez mais rasa.

E, o que me parece fundamental: o sujeito do desempenho está livre da instância externa de domínio que o obriga a trabalhar, explorando-o. Vale dizer, até mesmo em relação à exploração, o sujeito do desempenho livrou-se da alteridade e, com ela, da negatividade. Tornou-se senhor e soberano de si mesmo. Coerção e liberdade, doravante, coincidem e o sujeito do desempenho se entrega, com volúpia, à livre coerção de si mesmo!  Liberdade paradoxal, pois já não mais distingue agressor e vítima, e é dessa indistinção que as patologias se alimentam.  Está submetido apenas a si mesmo, e essa é a diferença em relação ao sujeito da obediência da sociedade disciplinar: ali, visando explorar, vigiar e submeter, a alteridade estava presente. Com isso, a sociedade de desempenho produz seres humanos depressivos e fracassados. O homem depressivo explora a si mesmo sem qualquer coação estranha. É prisioneiro e vigia, agressor e vítima ao mesmo tempo. Internalizou a figura do senhor e do escravo.

A depressão tem a ver com o excesso de positividade e reflete aquela humanidade que está em guerra consigo mesma. Ela irrompe “no momento em que o sujeito de desempenho não pode mais poder. Ela é de princípio um cansaço de fazer e de poder. A lamúria do indivíduo depressivo de que nada é possível só se torna possível numa sociedade que crê que nada é impossível. Não mais-poder-poder leva a uma autoacusação destrutiva e a uma autoagressão. O sujeito de desempenho encontra-se em guerra consigo” (HAN, 2015: 29).

O que nos torna depressivos e fracassados é o imperativo de obedecer a nós mesmos que se soma à pressão de desempenho. Somos responsáveis e temos que ter iniciativas. Mais desempenho: é o novo mandato da sociedade pós-moderna do trabalho.  Inventar mais. Criar mais. Ter mais produtividade. Mais rapidez. Mais, mais, mais…

  • Qual é a saída?

A resposta que Byung-Chul Han nos oferece só ganha sentido se retivermos a ideia de que a principal força produtiva da atual fase da sociedade do desempenho é o indivíduo em guerra consigo mesmo, em sua tentativa de conquistar o impossível: produzir mais, com mais rapidez, ao internalizar o senhor e o escravo, ao eliminar toda e qualquer alteridade coativa, etc. À medida que detemos o poder-de-poder-fazer mais, mais e mais,  podemos também tentar parar a máquina de desempenho em que cada um de nós e nos transformamos.  Se na sociedade do desempenho estamos por nossa conta e risco, podemos também inverter os termos da liberdade-na-coerção em que vivemos e então repropor o negativo sob outras bases, valorizando tudo o que interrompe a máquina de guerra que somos, tudo o que nos leva a sair do autismo e reconquistar a alteridade.

A chave proposta por Byung-Chul Han é a contemplação. Mais ativa que a hiperatividade, a contemplação é um saber soberano que sabe dizer não aos estímulos opressivos e intrusivos, que dirige o olhar soberanamente, subtraindo-o dos excitamentos exteriores. E no restante desse precioso livrinho, o autor nos oferece diferentes figurações da contemplação. Em Humano, demasiado Humano, Nietzsche afirma: “Por falta de repouso nossa civilização caminha para uma nova barbárie. Em nenhuma outra época os ativos, isto é, os inquietos, valeram tanto. Assim pertence às correções necessárias a serem tomadas quanto ao caráter da humanidade fortalecer em grande medida o elemento contemplativo”[1] (HAN. 2015: 37).

Se a contemplação é o Norte da sua reflexão, Byung-Chul Han valoriza também a atenção profunda, parente próxima do tédio profundo, indispensável para o verdadeiro processo criativo. Walter Benjamin chama esse tédio profundo de um “pássaro onírico, que choca o ovo da experiência” (HAN. 2015: 33) — com a sua perda também se vão as possibilidades psíquicas daí decorrentes: o “dom do escutar espreitando” e, com ele, “comunidade dos espreitadores” (HAN. 2015: 34). O autor dá também grande ênfase à pedagogia do ver nietzschiano: “…habituando o olho ao descanso, à paciência, ao deixar-aproximar-de-si”, capacitando o olho a uma atenção profunda e contemplativa, a um olhar lento e demorado (HAN. 2015: 51) Byung-Chul Han aplaude os tempos intermediários, os entremeios, as interrupções, as pausas, a hesitação, o não, a angústia, o luto, a ira — estes últimos são sentimentos ligados à negatividade. Tudo que atrasa a aceleração é bem-vindo.

Também é bem-vindo o que nos permite recompor a alteridade, o estar-junto-com-o-outro. E, então, não o cansaço da sociedade de desempenho, cansaço sinônimo de esgotamento e dele só nos refazemos de forma isolada-autista e solitária. Cansaços que como o fogo nos incapacitam até mesmo de falar e o olhar leva a uma desfiguração do que é visto. Cansaços que levam a “infartos da alma” (HAN. 2015: 71). Cansaços sem mundo, cansaços destruidores de mundo.

E, todavia, há um outro tipo de cansaço, um cansaço “que confia no mundo”. Um cansaço amigo que não está “socado” no eu, mas que abre o mundo, mais mundo. Nos convoca para um não-fazer sereno. Inspira e desperta uma visibilidade específica, uma atenção lenta e longa. Na feliz expressão do autor, esse tipo de cansaço “afrouxa as presilhas da identidade” (HAN. 2015: 75). Tudo que o olho vê se torna mais permeável e indeterminado e essa in-diferença concede a tudo uma aura de amizade (HAN. 2015: 75).  Um tempo intermédio e nele ficamos e nos dedicamos ao inútil.  O que nos permite recompor a alteridade é um cansaço que pede comunidade e só nela e com ela relaxamos.

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Bibliografia

HAN. Byung-Chul. Sociedade do Cansaço. Petrópolis. Vozes: 2015.

[1] Citado pelo autor.

 

 

 

 

[1] Citado pelo autor.

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